Antes de São José do Rio Preto se consolidar como um dos grandes polos médicos do Brasil, profissionais visionários ajudaram a construir os alicerces dessa trajetória. Médicos que dedicaram suas vidas à saúde, participaram da criação e do fortalecimento de hospitais, formaram novas gerações e contribuíram para avanços que ultrapassaram as fronteiras da cidade. Eles não estão mais entre nós, entretanto, permanecem presentes na história e no legado que deixaram. A seguir, a Perfil Business relembra alguns desses nomes que ajudaram a tornar a medicina rio-pretense respeitada e admirada em todo o país.

Domingo Marcolino Braile
Pioneiro da cirurgia cardíaca no interior do Brasil, Domingo Marcolino Braile realizou, em 1963, em Rio Preto, a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea do interior do País. Participou da fundação da Famerp e criou o Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital de Base. Professor e pesquisador, desenvolveu próteses e tecnologias cardiovasculares e participou ou orientou mais de 30 mil cirurgias, além de contribuir para a formação de gerações de especialistas. Seu legado também está na Braile Biomédica e no hospital municipal que leva seu nome. Morreu em 22 de março de 2020, aos 81 anos.

Gilberto Lopes da Silva Júnior
Conhecido como Dr. Gilbertinho, Gilberto Lopes da Silva Júnior carregou do pai não apenas o nome, mas também a vocação pela medicina. Formado pela Escola Paulista de Medicina, especializou-se em cirurgia geral e pediátrica e exerceu a profissão por seis décadas. Foi professor da Famerp e integrou a diretoria do Hospital Santa Helena. Registrou sua trajetória no livro “A medicina que vivi”. Casado com Nazareth Nociti Lopes da Silva, era pai de Eliana, Eloísa e Gilberto. Morreu em julho de 2017, aos 87 anos.

Halim Atique
Médico e educador, Halim Atique deixou uma contribuição que ultrapassou a área da saúde em Rio Preto. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina, especializou-se em Gastroenterologia pela University of Pennsylvania, nos Estados Unidos. Na educação, fundou a Sociedade Rio-pretense de Ensino e Educação, atual Unirp, além da Escola Técnica de Comércio e do Colégio Técnico Industrial Rio-pretense. Seu nome batiza hoje uma escola municipal e o Hospital Veterinário. Casado com Yvette Gabriel Atique, era pai de Halim Atique Junior e Maria Lucia Atique Gabriel. Morreu em dezembro de 1980, aos 60 anos.

José Arroyo Martins
José Arroyo Martins teve atuação decisiva na consolidação da estrutura hospitalar de Rio Preto. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, foi provedor da Santa Casa, fundador e presidente da Maternidade Nossa Senhora das Graças e do Hospital Nossa Senhora da Paz. Também comandou o Hospital das Clínicas, atual Hospital de Base, e presidiu a Fundação Regional de Ensino Superior da Araraquarense, hoje Funfarme. Vereador, destacou-se ainda como loteador de bairros como Bosque da Saúde, Jardim Urano e Jardim Arroyo. Morreu em janeiro de 2010, aos 96 anos.

Oscar de Barros Serra Dória
Oscar de Barros Serra Dória teve papel importante na construção da medicina rio-pretense. Formado pela Faculdade Federal de Belo Horizonte e especialista em cirurgia geral, chegou a Rio Preto em 1945. Chefiou o Departamento de Cirurgia da Santa Casa de Misericórdia, foi um dos fundadores da Famerp e integrou o grupo responsável pela criação do Hospital de Base. Também foi professor da Faculdade de Medicina das Santas Casas de São Paulo e apresentou mais de 50 trabalhos em congressos nacionais. Morreu em janeiro de 1989, aos 71 anos.

Reny Volpato Bertazzo
Referência na saúde feminina em Rio Preto, a ginecologista e obstetra Reny Volpato Bertazzo dedicou mais de 50 anos à medicina. Formada pela Escola de Medicina e Cirurgia da Unirio, fundou, na década de 1970, a Clínica Mulher, tornando-se uma das profissionais mais conhecidas da cidade em sua especialidade. A trajetória lhe rendeu homenagem do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Casada com o também médico José Bertazzo, era mãe de José Renato, José Ricardo e Roberta. Morreu em maio de 2019, aos 79 anos.

Wilson Romano Calil
Médico-cirurgião, advogado, fazendeiro e político, Wilson Romano Calil marcou a história de Rio Preto em diferentes áreas. Reconhecido por sua inteligência e capacidade de comunicação, abriu consultório em 1961 e construiu forte relação com seus pacientes. Na política, foi prefeito da cidade entre 1973 e 1976, período marcado por grandes obras, como o Viaduto Jordão Reis. Também se destacou pela defesa do combate às drogas quando o tema ainda recebia pouca atenção. Casado com a advogada Tereza Cristina, teve quatro filhos. Morreu em dezembro de 2018, aos 86 anos.
